Avaliação: 3.5 de 5.

CRÍTICA

O vínculo paterno na concepção dos heróis é a maior mudança para desenvolver seus personagens e a si mesmo (Zack Snyder), na sua versão, apenas estendida de Liga da Justiça.

Assim como as crenças nos deuses que Snyder cultua em suas histórias, sejam elas: gregas, nórdicas ou religiosas, a fé no invisível foi o combustível para levar mensagens (teorias) aos seguidores, sobre algo ultrapassado pelo tempo e contado por uma comunidade radical na defesa de suas ideias. Nisso, o nascimento da tag #releasethesnydercut foi a anunciação do messias: O corte do diretor Zack Snyder sobre a união dos heróis mais famosos dos quadrinhos.

A Liga da Justiça que nos foi apresentada no ano de 2017, razoavelmente modificada pelo diretor de “Os Vingadores”, Joss Whedon (missão de substituir o atual diretor e trazer da fonte enriquecida, literalmente, da concorrente do gênero, o escape cômico para se alcançar crítica e bilheteria), é um produto genérico e sem a eficácia prevista pelos mesmos figurões que hoje, almejam lucros na liberação e investimentos da premissa original. É histórico e triste que, fãs tenham pedido o mínimo de algo que eles mesmos consomem, e esnobados por tanto tempo. leia mais sobre a decisão do estúdio e a importância de Snyder na criação do universo.

O cinema vive um período crítico por conta do atual cenário mundial em meio a COVID-19, produções paradas e adiadas, com salas vazias ou sem a capacidade ideal para se manter. O streaming é uma solução para apostas e entretenimento. A cada dia que passa, novas plataformas surgem e com elas, suas particularidades são a forma de agregar o valor do ingresso na indústria. HBO MAX foi o protótipo ideal para devolver os vínculos com o blockbuster guardado à sete chaves. Sobre badalos de assinaturas em massa, críticos fervorosos na criação de conteúdo e euforia dos adoradores da obra de Snyder, o “novo” Liga da Justiça tem o mesmo ou maior peso em sua première remota do que vivíamos nos lançamentos aglomerados há 2 anos atrás.

Com um preço equivalente ao caríssimo ticket a qualquer sala de cinema, tivemos hoje, o lançamento mundial do longa em algumas plataformas digitais, através de um serviço de locação premium por tempo determinado. É indiscutível que, a narrativa se mantenha e fiquemos boquiabertos com os recortes absurdos da versão aprovada pelos produtores, merecíamos essa versão há 4 anos e com isso, Snyder teria seus créditos sobre um roteiro mais coeso e desenvolvido.

O enquadramento 4:3 é o primeiro incômodo do espectador e razão na fala de que, Snyder é estilista, em suas cenas escurecidas e gradualmente feitas em CGI, o que quase não se nota em Homem de Aço e Batman Vs. Superman. Obviamente, sabendo que é impossível criar o universo sem esses recursos. Trazer a morte de Kal-El para o início de sua história, é cravar a autenticidade de sua obra e não dar margem para se comparar com a visão de Joss Whedon em esconder o bigode de Henry Cavill. Mesmo com mais dinheiro para as refilmagens, conseguindo corrigir as falhas nas tomadas abertas e nos takes de ação (que são sua marca registrada), tirando a ótima execução do visual do Lobo da Estepe, o gráfico destoa quando se precisa “realidade”.

Dividido em longos capítulos, somos apresentados a profundidade de cada personagem, com o roteiro correto e sem adições. Por fim, conhecemos a natureza do que o diretor queria para seus principais, principalmente, dando ênfase na dor de Victor Stone (Ciborgue), para levá-lo como peça-chave para o encerramento, e não mais, Superman no seu uniforme preto, o que Zack não deixou para ser inédito. Afinal, o trailer tira todo o fator surpresa dos plots, mas não tira a curiosidade de assistir mais do pesadelo do Batman, com o Coringa de Jared Leto, Exterminador e Darkseid.

Há um difícil problema no gênero, que alguns realizadores não acham a maneira de superá-lo: como criar uma estética que os super-heróis não pareçam apenas cosplays? Quando envoltos nas batalhas da primeira armada de Uxas contra a terra, é bela a guerra de cores e coreografias, mas quando partem para locações em prédios e ruas na atualidade, não se pode desver uniformes limpos, inquebráveis, e o mesmo para seus corpos; embora, deuses, eles possuem fraquezas, um vento que assanhe cabelos não existe para a trama.

Percebemos descaradamente, desde o nascimento de “Clark Kent”, o alinhamento de sua escrita com o cristianismo, várias cenas fazem alusão a Jesus e suas conhecidas passagens até sua morte e ressureição. E nada mais encaixável que os orfãos dos quadrinhos, parcialmente divinos e com a missão de salvar o planeta. É um trabalho pessoal, sensivelmente, homenageado a sua filha no final. Toda a linha dessa aliança corre pela ausência da figura paterna (também feita pela mãe), sendo totalmente compreensivo e estragado pela falas de destaque e piadas (Flash) que não cabem na maturidade que o prega.

A comparação é inevitável e justa para um criador e seus seguidores mais fiéis. Whedon entregou um somatório de maneirismos que geram um entretenimento sem coragem. Desafiador, maduro e maior em sua duração, Liga da Justiça de 2021 é um filme vitorioso para os fãs na relação com a indústria, e o encabeçamento não poderia vir de outra pessoa, a não ser do mais atingido: o próprio diretor Zack Snyder. Talvez, seja o menos divertido de sua carreira com a Warner, mas com certeza, o mais profundo na aproximação com os protagonistas. O que ele toca vira relevante e a ele o agradecimento do ciclo que criasse e terminasse, que enfim, teve a oportunidade.

Liga da Justiça (Snyder Cut) | 2021

Direção: Zack Snyder

Distribuição: VOD premium e HBO MAX

Elenco: Ben Affleck, Gal Gadot, Henry Cavill, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fischer e mais…

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